Nunca fui muito fiel à ideia de “ano novo, vida nova”,
sempre achei que devia viver o dia-a-dia a sentir que todos os dias como novos.
Se o podia fazer diariamente, porque me pendurar à ideia que o ia fazer só no
ano novo e depois até me podia esquecer de o fazer? Gosto, no entanto, de no
final do ano pensar: “foi um ano feliz?”. Este ano que acaba ainda não o
consigo ver como um ano feliz, mas sei que conseguirei. Trouxe-me tantas
mudanças que este ano já repeti várias vezes “que venha o ano novo. ano novo,
vida nova!”
Eu gosto de mudança quando calculada sendo parte de um
processo eficaz de alocação dos recursos com o intuito de melhorar a nossa
felicidade. Procurar ser mais e melhor, procurar dar mais e fazer mais. Escolher
mais vezes o ser, do que o parecer.
Estas mudanças calculadas custam, por vezes são tão difíceis
de fazer que recuamos e nos mantemos no limbo vezes sem conta, mas quando as
fazemos sentimos um alívio, sentimos algo a soltar-se de nós, ficamos mais
leves. Dizem que quando morremos automaticamente o nosso corpo perde 21 gramas
que é o peso da nossa alma, quando tomo certas decisões de mudança penso que a
minha alma emagrece e volta aos 21 gramas do seu peso habitual.
Das mudanças abruptas que nos batem à porta sem serem
convidadas eu não gosto. Gosto de ter o meu tempo de reacção, gosto de ter
tempo para tomar café e tomar banho antes de falar com quem quer que seja logo
de manhã. Gosto de me poder despedir de quem quero, gostava de não me ter
despedido do meu pai este ano.
2013 esteve recheado dessas mudanças em que todas as
lágrimas que me correram pelo rosto criaram um rio novo na minha vida. E eu
gosto tanto de água, gosto tanto de nadar que sei que só me falta habituar
completamente à temperatura da água para tudo ficar tranquilo.
Eu que não sou de resoluções de Ano Novo este ano vou ser.
Um comentário:
Beijinhos, e venham dias simples :) Eduarda
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