sexta-feira, 19 de setembro de 2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014


Deixo-me sorrir não por cinismo ou desprezo, deixo-me sorrir porque é o que melhor sei fazer.
Um sorriso que me pertence e que luto pela sua guarda diariamente.
Sorrio-me.

terça-feira, 1 de julho de 2014





Este Verão ensina-me
a amar as minhas cicatrizes
a enfeitar-me com marcas de estrangulamento no pescoço

Este Verão ensina-me
a fechar à chave a amargura e fico
bem roliça e anafada pareço bem tratada

Este Verão ensina-me
a gritar o bel canto

Este Verão ensina-me
que a solidão descansa
e cresce numa mão

Este Verão ensina-me
a não confundir um corpo disponível
com o desejo de felicidade

Este Verão ensina-me
a ser para cada pedra um espelho de água

Este Verão ensina-me
a amar grandes bolas de sabão e pequenas
antes de rebentarem

Este Verão ensina-me
que tudo sem nós
por si continua

Este Verão ensina-me
um rosto gelado feliz

Este Verão ensina-me
tenho que ser eu a bater no tambor
quando quiser dançar

este Verão ensina-me
a ser sem felicidade sem tristeza por uns
segundos aliada de Deus

Este Verão ensina-me
a acordar de manhã. Grata. Sozinha.

Este Verão ensina-me
que a folha do limoeiro só deita cheiro
quando a desfazemos entre os dedos.



Ulla Hahn 

domingo, 4 de maio de 2014


continuas a ser a mão que me ampara e eu continuo a "deitar a língua de fora" em sinal de protesto...




Palavras para a Minha Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses 
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz. 
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente. 

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

sexta-feira, 2 de maio de 2014




De sapatinhos vermelhos às bolas brancas vou de braço dado com os devaneios de criança e de braço dado contigo que sempre me guiaste pela vida.

Quando recordo esta minha vida de fantasia e brincadeira que, prezo por ainda manter uma boa parte, vejo o quanto tive sorte por te ter. Obrigada Pedro.

quinta-feira, 20 de março de 2014


33. Diga 33. 
Sempre brinquei com este número e agora esbarro-me com ele.

Às vezes tenho dúvidas da minha verdadeira idade. Todos me diziam: "quando chegares aos 18 é que vai ser fixe". Os 18 chegaram e voaram e eu nem dei por eles. 
Depois diziam: "ahh quando chegares aos 20 vais ver..." Os 20 entraram, sentaram-se à mesa, servi-lhes uma bela refeição e tivemos um belo serão. No fim... despedimo-nos com alegria.
Quando comecei a aproximar-me dos 30 diziam: "quando chegares aos 30? vais ver... a vida passa a correr, é uma tristeza." Ora bem, já moro nos 30 vai fazer 3 anos e tenho uma excelente relação de amizade com este senhorio. Fazem-me crer que até cresci por ter chegado aos 30. Quando alguém vê a minha idade e percebe que atrás do cabelo desalinhado, dos sapatos da camper e do olhar de miúda  está uma "mulher crescida" é engraçado. 

Até me deu gozo passar dos 30, confesso, apesar de continuar sem saber se os tenho. Neste meu mundo sinto-me viver sem perceber muito bem qual a minha idade. Continuo a mesma que olha sempre para o céu como se fosse a primeira vez. Desfruto do instante mágico das coisas. Torno-me, facilmente, numa criança de olhos a brilhar que se espanta com tudo . Embriago-me em música para fazer a fotossíntese diária cerebral. Deixo-me apanhar boleia pelas cores de uma bola de sabão. Sustento-me pelo amor e pela amizade, sem eles viveria num Inverno perpétuo. Absorvo sorrisos e olhares genuínos que me alimentam a alma. Tenho em mim a baloiçar todos os sonhos do mundo. Faço por sentir o riso de que tanto gosto e o qual posso reclamar como minha pertença. Continuo a criança que espera ansiosamente pelas prendas fáceis ou difíceis.


Eu sou assim, não sei ser de outra maneira.

Tenho 33, diz-me a minha mãe e eu acredito nela. Mesmo que, por vezes, nem ela acredite.

domingo, 16 de março de 2014


 

Aqui a tua sombra era do tamanho da minha mas eu ainda te pegava ao colo para te abraçar. Agora quando te abraço os meus braços já encaixam por baixo dos teus. Sim, por muito que me custe admitir e aceitar, já estás mais alto que eu. Mas os abraços continuam iguais, continuas a ser o meu beija-flor. Fazes parte de mim.
Parabéns Gonçalo.